Ter-cei-ro. Oba! Oba!
Sexta, 11 de Janeiro de 2008The third
O britanismo foi pro saco. O Pc, que ficou de pegar o Dreher em casa, atrasou tudo, chegou com a desculpa de ter trazido cerveja, pão-de-queijo e coca-cola pro estúdio…a real é que dormiu demais.
Todos a postos, recomeçamos considerando testar a caixa do Caio, cujo nome não sei informar, mas que é mais magrinha e, acreditem, tinha O som que estávamos procurando.
Mas que excelente, recomeçamos a gravar!
1) Sadie:
Uma das composições mais novas, aceleradas e alucinadas do repertório, Sadie ganhou a caixa que merecia: estalado, arisca e ácida na medida certa. Com 160 bpm, configurou-se uma ameaça para as capacidades dos outros dois acompanharem o andamento, o que veremos mais pra frente. De parte do Caio, só mudamos um pouco os bumbos duplos e os repetitivos…menos bumbo, Caio!!!!!
2) Passagem pro inferno:
Não tinha ficado bom. Mesmo que tivesse, a VIBE, WAVE, CLIMA, ASTRAL e todas as expressões pode-crer do momento não estavam alinhadas para o take que vai pro CD. E lá foi o Caio gravar de novo, com a caixa certa, com a virada antiga, com tudo que estamos acostumados a ouvir. E dessa vez valeu!
3) Febre Alta:
A seguir resolvemos gravar a penúltima música a ser composta pro CD, uma ela canção que descreve a angústia e ansiedade frente à chegada da gata perfumada no bar. Afinamos a bateria mais uma vez, trocamos os tons pra emagrecer um pouco e mandamos bala. O final não estava definido, além de ser um pouco longo, mas deixamos à vontade do batera COM restrições. O take que valeu não demorou muito e o dia tava rendendo.
O que tínhamos feito de significativo na bateria pra buscar um som diferente foi colocar novos tons, com um som mais de pele hidráulica, trocar o ride por um Zildjan e o prato 3 por um Octagon Série Dark. O som veio mais magro mesmo, bacana.
É necessário lembrar que estávamos curtindo um dia semi-nublado, o que em relação à jornada anterior já era uma GRANDE evolução da espécie. A gravação rolava com menos etilicidade, mais tranquïlidade, enfim, o momento certo para gravar aquela balada do oeste….
4) Dez vezes mais:
Como captar o som que vem das fagulhas dos cascos do cavalo do bandido?
Tínhamos a solução e botamos pra funcionar o set de bateria com algumas modificações - desculpem-nos - secretas e uma interpretação sensível. Ficou foda. O fade in e out, que estava previsto para ser feito pela mesa na mix foi substituído pelo real deal, pela freio no tendão do Caio, pela sensibilidade do antebraço, tornozelo e punho. Vou parar que estou quase chorando.
A música ficou um estrago para os coração dos que ousam viver.
Neste momento o Pc saiu do estúdio, a gente pediu um rango e tudo ficou maaaaaaaiiiiiis lentoo….
Não restam dúvidas de que “Quando o Tesão Bater” é a música mais porrada do repertório dos Sapatos. Ela pede peso. Ele pede água. Ele pede toalha enxugando a água do gelo que escorregue pela pele. Hidráulica. Era merecia um take definitivo. Aquele que vai ficar pra sempre. Por tudo isso, resolvemos gravá-la mais uma vez.
5) Quando o Tesão bater - Kit 2
E a bateria veio da maneira que o Prólogo anunciara. Com força, pressão, potência e a pança cheia de….Brutus.
Nada por acaso, o take final demorou quase nada para aparecer bonito na tela do Pro tools. O Caio estava de parabéns mais uma vez e encaminhava-se para o fim de uma grande jornada.
6) Teu mal
A última música, claro, tinha que ser a mais difícil.
Teu mal é uma música muito fácil de se resolver. É como um desenho bonito em preto e branco para colorir. A grande diferença é que resolvemos pintar o céu de verde e a grama de roxo. Então, a música ficou 1000 vezes mais interessante, com detalhes do começo ao fim. E que fim! O final do dia nos reservou uma sessão de meia hora de improviso de bateria, quando invocamos os espíritos de Gene Kruppa, Buddy Rich, Mitch Mitchell e tantos outros que ouvimos e encarnamos no Caio. Eu ainda não sei o que descrever o que rolou. Nem sei como vamos encaixar na música ou se vamos fazer outra faixa. Mas que foi especial, disso tenho certeza.