Arquivo de 9 de Janeiro de 2008

Secondo dia

Quarta, 9 de Janeiro de 2008

Chegamos incrivelmente cedo para os padrões dreherianos: 9 e meia da manhã já nos encontávamos enchendo a geladeira de cerveja para iniciar a gravação.

Os testes com a bateria resultaram em sons surpreendentes. A príncipio a única peça que não ficou sensacional foi mesmo a caixa. A questão é que, por mais variadas e excelentes que fossem as 6 caixas do estúdio, ainda buscávamos um som mais estalado, com mais esteira, mais laranja, mais vapor, chuva, espirro, essas coisas. Felizmente, a última que testamos, a do jogo da batera que usamos, a Pearl Master Custom Classic Limited Edition, ficou bacana. Apertamos bem as peles e, depois de microfonarmos a esteira TAMBÉM, chegamos lá.

Primeira música

Como o Gustavo disse “É melhor começar com a melhor pra ganhar moral”. Escolhemos 1/4, composição do André que tem letras dele e do PC e uma levada porrada, do jeito que o Caio gosta. Com bastantes tons e uma partezinha lenta no meio, rolou de constatar que a bateria estava toda do jeito que a gente queria.
Eram quase 1 da tarde quando finalizamos ela. 1x0 já era goleada.

Segunda música - Queimando a largada

Continuando a saga, e aproveitando a configuração da bateria, fomos gravar Quando o Tesão Bater. Alguns takes depois, e não foram poucos, percebemos que não era o timbre dela. Pulamos

Segunda música (agora sim) - Aeromoça

Essa ficou boa. Fora a parte do meio e algumas viradinhas, a música já estava morta e enterrada. Foram poucos takes valendo, coisa de 4 ou menos, e já era. Os tambores da parte do meio fizeram toda a diferença e, no apagar das luzes, compusemos um final diferente pro disco, que inomodva um pouco pela repetição. Se não ficar bom, fudeu. Mas é daquelas coisas que se testam somente na hora de gravar mesmo. Pra essa música a batera permaneceu quase igual, só mudamos o ride, que foi um Zildjan pra soar mais como ataque também. Show!

A essa hora, beirando as 16h, as primeiras labaredas começavam a cahamuscar a varandar do segundo andar, se aproximando ameaçadoramente da sala monitoramento.

Terceira música (sob calor intenso)

A música escolhida para ser gravada a seguir foi Ela é bicolor, que foi poucas vezes executada em shows mesmo sendo uma das primeiras compostas pro segundo disco. Como ela tem uma base rítmica no começo que é levada nos tons e surdos, baixamos a afinação dos tons e trocamos o surdo, escolhendo um maior e mais gordo, fofo, barítono mesmo. Foi até rápida, não tinha muito o que mudar da pré-gravação e o calor tava foda.

Pausa para rango e refresco.

Com a chegada do Davi Congo, sua câmera e a Lucci, resolvemos fazer uma pausa para alimentarmos e refrescar a cabeça. A opção mais barata e conveniente foi a casa do André, onde nos atiramos na piscina invariavelmente morna enquanto esquentávamos uma lasanha, pastelão, arroz e feijão - uma refeição extremamente equilibrada. O resultado, após o banquete e algumas cervejas a mais foi preguiça, um sono, uma fadiga……. mas ainda tínhamos que voltar ao estúdio. E fomos.

Quarta música (cansaço, muito calor, peso abdominal e princípio de estresse)

Afora “Quando o Tesão Bater”, a canção mais antiga que vai entrar no disco se chama Passagem pro Inferno, que já estamos carecas (o André um pouco mais) de saber tocar. Tocamos essa música mais ou menos umas 8.987 vezes até esse momento. Bom, é claro que na hora da gravação a gente iria querer mudá-la. Aí não deu certo. De um lado, Gustavo Dreher - princesalemã com idéias revolucionárias e econômicas; do outro, Caio King Death Metal Kong, tradicionalista e disposto a colocar PESO na canção.
Esse entrave durou umas três horas e resultou em nada. Gravamos oitenta takes e não ficamos satisfeitos com nenhum. Pra piorar, o captador da ponte da Gretsch do André, que estava só tocando guitarra guia inventou de dar pau pra sempre. Eram quase 9 horas e a hora era de parar. Então fomos falar mal um dos outros bem longe daquela sauna onde nos encontrávamos.

Até amanhã!