Nascidas no quarto
Sábado, 26 de Janeiro de 2008A segunda-feira, após o final-de-semana intenso, foi mais relax. Com o retorno aos afazeres profissionais, todo mundo teve um dia cheio e o horário combinado pro estúdio foi 19 horas.
Música número dez
Um dos maiores desafios já identificados na pré-gravação era uma música do André chamada “Vem Viver”. Sabe aquela música que pode virar qualquer coisa dependendo do jeito que tu grava? Country Rock ou Balada Lisérgica, Folkeletro ou Glam, Teixerinha ou Ace Frehley?.Pois é.
Com o arranjo vindo das execuções ao vivo, a banda tocava ela de uma maneira muito direta, deixando de aproveitar as diferentes áreas que a música proporciona. De uma forma geral, ela não crescia no refrão, não acalmava no verso, não ia nem vinha. A resposta da combinação de estilos era tímida e sem personalidade.
Pensando nisso, o André sugeriu naipes de madeira, Pc introduziu uma nova célula rítmica no meio da música, o Gustavo fez algumas anotações, o Caio ouviu tudo com atenção. Surgia uma nova canção. Pra esse arranjo, escolhemos um kit de batera menos pesado, com uma caixa menos aguda e os tambores menos graves. O Caio teve o trabalho dobrado de limar as viradas nas partes mais calmas, fazendo o chimbáu tilintar discretamente na maior parte do tempo.
O PC, que chegara no meio da história, ameaçou impugnar as escolhas feitas até então, mas não obteve quórum para tanto. No fim, a música demorou um par de horas para ficar pronta, mais ou menos o tempo que o nosso grande amigo Hugo levou para trazer a cerveja e o pão-de-queijo.
A essa altura, nos aproximávamos do fim das baterias, certo? Não exatamente.
A saga Anal.lógica
Uísque e feijoada; bebedeira e trabalho; putaria e namoro. Como combinar duas coisas boas totalmente diferentes como Swing e Ska?
A gente achava que gravando as duas partes distintas com baterias diferentes a coisa se resolveria. E quase que a banda acabou. Com o timbre certo pra parte ska, já decidido o arranjo da parte C da música a partir de um assovio nascido num bar uma semana antes, o foco estava todo na execução. Aí, o grande problema foi o andamento. Nas partes swing ficava lento, na parte ska muito rápido pro Caio tocar - ele ficava mais e mais nervoso. Pra vocês terem idéia, a gente tentou tocar a música em três andamentos para depois escolher. O Caio queria colocar os três na música, o André queria mais rápido, o PC estava mudando de lado a toda hora e o Dreher sugeria um algaritmo.
Alcooloradas discussões foram dando espaço a uma proposta de solução: gravar somente nos dois andamentos mais rápidos e misturar os timbres depois. No fim, o Skwing seria criado a partir de quatro takes bons, gravados em dois andamentos, de cada um dos instrumentos - afora os metais, gravados após o trio.
Já nos aproximando ameaçadoramente da meia-noite, fomos expulsos pelo Seabra e voltamos pra casa na pilha de botar em prática o Tratado de Criação do Skwing.
